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lunes, 15 de enero de 2007

"Cancioneiro"(Parte 1º)Fernando Pessoa(edición bilinguë portugués-español)


"Cancioneiro"
FERNANDO PESSOA
NOTA PRELIMINAR


1 - Em todo o momento de atividade mental acontece em nós um duplo fenômeno de percepção: ao mesmo tempo que tempos consciência dum estado de alma, temos diante de nós, impressionando-nos os sentidos que estão virados para o exterior, uma paisagem qualquer, entendendo por paisagem, para conveniência de frases, tudo o que forma o mundo exterior num determinado momento da nossa percepção.

2 - Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E - mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem - pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem. Se eu disser "Há sol nos meus pensamentos", ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes.

3 - Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior e do nosso espírito, e sendo o nosso espírito uma paisagem, tempos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens. Ora, essas paisagens fundem-se, interpenetram-se, de modo que o nosso estado de alma, seja ele qual for, sofre um pouco da paisagem que estamos vendo - num dia de sol uma alma triste não pode estar tão triste como num dia de chuva - e, também, a paisagem exterior sofre do nosso estado de alma - é de todos os tempos dizer-se, sobretudo em verso, coisas como que "na ausência da amada o sol não brilha", e outras coisas assim. De maneira que a arte que queira representar bem a realidade terá de a dar através duma representação simultânea da paisagem interior e da paisagem exterior. Resulta que terá de tentar dar uma intersecção de duas paisagens. Tem de ser duas paisagens, mas pode ser - não se querendo admitir que um estado de alma é uma paisagem - que se queira simplesmente interseccionar um estado de alma (puro e simples sentimento) com a paisagem exterior. [...] 1 - En todo el momento de actividad mental sucede en nosotros un duplo fenómento de percepción: al mismo tiempo que tenemos consciencia de un estado de alma, tenemos delante de nosotros, impresionándonos los sentidos que están volteados hacia el exterior, un paisaje cualquiera, entendiendo por paisaje, para conveniencia de frases, todo lo que forma el mundo exterior en un determinado momenot de nuestra percepción.

2 - Todo estado de alma es un paisaje. Esto es, todo estado de alma no es sólo representable por un paisaje, pero verdaderamente un paisaje. Hay en nosotros un espacio interior donde la materia de nuestra vida física se agita. Así una tristeza es un lago muerto dentro de nosotros, una alegría un dia de sol en nuestro espíritu. Y - mismo que no se quiera admitir que todo estado de alma es un paisaje - puede al menos admitirse que todo estado de alma puede representarse por un paisaje. Si yo dijera "Hay sol en mis pensamientos", nadie comprenderá que mis pensamientos son tristes.

3 - Así, teniendo, al mismo tiempo, consciencia del exterior y de nuestro espíritu, y siendo nuestro espíritu un paisaje, tiempos tenemos al mismo tiempo consciencia de dos paisajes, Ora, esos paisajes se funden, se interpenetran, de modo que nuestro estado de alma, sea él cual fuera, sufre un poco del paisaje que estamos viendo - en un día de sol un alma triste no puede estar tan triste comoen un día de lluvia - y, también, el paisaje exterior sufre de nuestro estado de alma - es de todas las épocas decirse, sobretodo en verso, cosas como que "en la ausencia de la amada el sol no brilla", y otras cosas así. De manera que el arte que quiera representar bien la realidad tendrá que darla a través de una representación simultanea del paisaje interior y del paisaje exterior. Resulta que trendrá que intentar dar una intersección de dos paisajes. Tienen que ser dos paisajes, pero puede ser - sin querer admitir que un estado de alma es un paisaje - que se quiera simplemente intersectar un estado de alma (puro y simple sentimiento) con el paisaje exterior. [...]
Cancioneiro
Fernando Pessoa


POESIAS

Análise
Dobre
Intervalo
Abdicação
Deixa-me Sonhar
(Põe-me as mãos nos ombros...)
Ao Longe, Ao Luar
(Sonho. Não sei quem sou neste momento...)
Contemplo O Lago Mudo
Gato Que Brincas Na Rua
(Não: não digas nada!)
(Vaga, no azul amplo solta,)
O Andaime
(Sorriso audível das folhas)
Autopsicografia
(O que me dói não é)
Entre O Sono E O Sonho
(Tudo o que faço ou medito...)
(Tenho tanto sentimento)
(Viajar! Perder países!)
(Grandes mistérios habitam)
Fresta
Eros e Psique
Teus olhos entristecem
Liberdade
Hora Absurda

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Análise
Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perço-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo. Tan abstracta es la idea de tu ser
Que me viene de mirarte, que, al entretener
Mis ojos en los tuyos, los pierdo de vista,
Y nada queda en mi mirar, y dista
Tu cuerpo de mi ver tan largamente,
Y la idea de tu ser queda tan pronta
Al pensar mirarte, y al saberme
Sabiendo que tu eres, que, sólo por tenerme
Conciente de tí, ni a mí siento.
Y así, en este ingnorarme al verte, miento
La ilusión de la sensación, y sueño,
No viéndote, ni viendo, ni sabiendo
Que te veo, o siquiera que soy, risueño
Del interior crepúsculo tristón
En que siento que sueño lo que me siento siendo.

Fernando Pessoa
12-1911
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Dobre
Peguei no meu coração
E pu-lo na minha mão

Olhei-o como quem olha
Grãos de areia ou uma folha.

Olhei-o pávido e absorto
Como quem sabe estar morto;

Com a alma só comovida
Do sonho e pouco da vida. Tomé mi corazón
Y lo puse en mi mano

Lo miré como quien mira
Granos de arena o una hoja.

Lo miré pávido y absorto
Como quien sabe estar muerto;

Con el alma sólo conmovida
De sueño y un poco de la vida.

Fernando Pessoa
1913
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Intervalo
Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado -
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei?

Seja o que for, quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?

Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca -
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca. ¿Quién te dice al oido ese secreto
Que raras diosas han escuchado -
Aquél amor lleno de creencia y miedo
Que es verdadero sólo si es ocultado?...
¿Quién te dice tan temprano?

No fui yo, que no osé decírtelo.
No fue otro, porque no lo sabía.
¿Pero quién rozó de la cabeza tu pelo
Y te dijo al oido lo que sentía?
¿Sería alguien, sería?

¿O fue sólo que soñaste y yo te soñé?
¿Fue sólo cualquier celo mio de tí
Que lo supuse dicho, porque no lo diré,
Que lo supuse hecho, porque sólo fingí
En sueños que ni sé?

Sea lo que fuese, ¿quién fue que levemente,
A tu oido vagamente atento,
Te habló de ese amor en mí presente
Pero que no pasa de mi pensamiento
Que ansía y que no siente?

Fue un deseo que, sin cuerpo o boca,
A tus oidos de soñarte dije
La frase eterna, inmerecida y loca -
La que las diosas esperan de la alegría(*)
Con que el Olimpo se achica.

Fernando Pessoa


(*) N.d.T: Ledice es la calidad de ledo, en potuguês. En castellano la palabra ledo existe y con el mismo significado pero no hay más palabras de su familia; ledicia debería ser su forma.

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Abdicação
Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
Que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia. Tómame, oh noche eterna, en tus brazos
Y llámame tu hijo... yo soy un rey
Que voluntáriamente abandoné
Mi trono de sueños y cansancios.

Mi espada, pesada a brazos cansados,
En manos viriles y calmas entregué;
Y mi cetro y corona - yo los dejé
En la antecámara, hechos en pedazos.

Mi cota de malla, tan inútil,
Mis espuelas de un tañir tan fútil,
Dejelas por la fria escalinata.

Despojé la realeza, cuerpo y alma,
Y regresé a la noche antigua y calma
Como el paisaje al morir del día.

Fernando Pessoa
1913
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Deixa-me Sonhar
Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.

A tua carne calma
É fria em meu querer
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.

Dorme, dorme. dorme,
Vaga em teu sorrir...
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir. Duerme mientras yo velo...
Déjame soñar...
Nada en mí es risueño.
Te quiero para sueño,
No para amarte.

Tu carne calma
Es fria en mi querer
Mis deseos son cansancios.
Ni quiero tener en los brazos
Mi sueño de tu ser.

Duerme, duerme. Duerme,
Vaga en tu sonreir...
Te sueño tan atento
Que el sueño es encantamiento
Y yo sueño sin sentir.

Fernando Pessoa
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(Põe-me as mãos nos ombros...)
Põe-me as mãos nos ombros...
Beija-me na fronte...
Minha vida é escombros,
A minha alma insonte.

Eu não sei por quê,
Meu desde onde venho,
Sou o ser que vê,
E vê tudo estranho.

Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo. Ponme las manos en los hombros...
Bésame en la frente...
Mi vida son escombros,
Mi alma insomne.

Yo no sé por qué,
Mio desde donde vengo,
Soy el ser que ve,
Y ve todo extraño.

Pon tu mano
Sobre mi cabello...
Todo es ilusión.
Soñar es saberlo.

Fernando Pessoa

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Ao Longe, Ao Luar
Ao longe, ao luar,
No rio uma vela
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica. A lo lejos, a la luz de la luna,
En el rio una vela
Serena al pasar,
¿Qué es que me revela?

No sé, pero mi ser
Tornóseme extraño,
Y yo sueño sin ver
Los sueños que tengo.

¿Qué angustia me enlaza?
¿Qué amor no se explica?
Es la vela que pasa
En la noche que queda.

Fernando Pessoa
5-8-1921
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(Sonho. Não sei quem sou neste momento...)
Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Nao tenho ser nem lei.

Lapso da consciencia entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contem.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém. Sueño. No sé quién soy en este momento.
Duermo sintiéndome. En la hora calma
Mi pensamiento olvida el pensamiento,
Mi alma no tiene alma.

Si existo es un yerro yo lo sé. Si despierto
Parece que yerro. Siento que no sé.
Nada quiero ni tengo ni recuerdo.
No tengo ser ni ley.

Lapso de la consciencia entre ilusiones,
Fantasmas me limitan y me contienen.
Duerme inconsciente de ajenos corazones,
Corazón de nadie.

Fernando Pessoa
6-1-1923
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17 comentarios:

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